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Torcer pelos indígenas

Há alguns dias, aconteceu em Brasília um encontro improvável: lá já estavam milhares de indígenas à espera do julgamento do marco temporal, quando chegaram as hordas bolsonaristas, em grande parte financiadas pelo agro, para a tomada do poder.

Que o golpe ao final não tenha saído é detalhe a que não me deterei; também não me aventurarei em prognósticos sobre o julgamento pelo Supremo: o que me leva a escrever é minha impressão de que algo mudou na percepção coletiva sobre o direito dos indígenas à terra.

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Cara, coroa

Confesso que fiquei tentado a escrever sobre as 271 vezes que deu cara, coroa, cara, coroa e como isso corresponde à quantidade de átomos da Terra, mas o assunto é sério demais para fazer brincadeira.

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Vocação

Vocação. É uma palavra que tenho gravada no mais fundo da memória. Talvez a tenha conhecido nos tempos de missas obrigatórias, em que não faltavam orações pelo aumento das vocações sacerdotais. Naqueles meus primeiros anos, a imaginação flertava com a existência de um chamado divino, que revelaria aos escolhidos sua missão de conduzir o rebanho ao paraíso.

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Jorge, o sábio

O Jorge era um cara que pegava junto. Sempre disposto, era pau pra toda obra. Não gostava de ler nem discutir política, era tarefeiro e se orgulhava disso.

Um dia me chamou, tinha uma coisa séria pra tratar. Disse: eu não gosto de teoria, isso é com vocês, eu quero botar a mão na massa, fazer o trabalho sujo.

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Negro não é gente

Negro não é gente, sentenciou Luzia, pouco antes da execução.

Domingo de tarde, faço a leitura tardia d’O Continente, ao lado do computador que, de tanto em tanto, me informa como vai o Grenal. Em alguns momentos, volto à tela antes mesmo que me informe o lance seguinte; já em seguida, Érico me prende a atenção, e perco 15 minutos de jogo.

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As palavras perdidas

Não sei precisar quando, mas perdi as palavras. De início, não percebi: sentava, iniciava um parágrafo, às vezes chegava ao segundo, e nada fluía. Logo – como acontece neste momento – sentia vontade de fugir, e fugir significava me perder pela internet ou me esquecer num jogo viciante. Passada meia hora, voltava ao texto iniciado e já não via nele conexão que me permitisse continuar. Até agora não sei se faltava qualidade ao texto iniciado ou me faltava ânimo para continuá-lo. Continuar lendo

As covas

Uma imagem vale mais que mil palavras. A máxima foi novamente confirmada hoje, com a capa do Washington Post, na qual se veem dezenas de covas abertas num cemitério de São Paulo, enquanto se realiza um enterro, no qual os funcionários usam roupas de proteção. Continuar lendo

Pensando na quarentena

A gripe espanhola aconteceu há cem anos, e matou dezenas de milhões de pessoas (50, 100?), num mundo cuja população era de 1,8 bilhões. Morreu entre 3 e 5% da população do planeta. Hoje uma pandemia que aponta número muito menor de mortes paralisa o mundo. Para comparar, mesmo a assustadora projeção de quase 500 mil mortes para o Brasil, por conta da omissão dos governos em seus vários níveis, representaria menos de 0,3% da população. Continuar lendo