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O espelho

Uma das primeiras visões matinais é a do nosso reflexo no espelho. Nos miramos e nos reconhecemos, dia após dia, sempre iguais. E nos reconhecemos justamente porque permanecemos iguais. O rosto roto por uma noite mal dormida, as olheiras da farra noturna, o cabelo desalinhado ou a espinha intrusa são pequenos acidentes que não se repetirão no dia seguinte, e continuaremos iguais.
No entanto, mudamos. Um dia descobrimos uma ruga, outro dia os primeiros cabelos brancos, depois que a pele perde o viço. Alguns deixam acontecer, outros aplicam botox, usam tintura, e logo nos acostumamos com a nova imagem do espelho, que no mais muda de modo imperceptível. Esta imagem nos reflete, nos identificamos com ela e, por essa inata e inconsciente capacidade de adaptação, a sentimos perene. Víssemos um dia, tal Dorian Gray, nossa imagem da juventude, não a reconheceríamos como nossa. A ilusão que temos é de não mudança, é de familiaridade com a imagem que o espelho nos mostrou hoje. Continuar lendo