O teste

Em 2016, integrei um grupo de operadores jurídicos, então denominado Resistência Constitucional, que realizou alguns eventos públicos em defesa da democracia e contra o golpe então em marcha.

Num deles, reunimos Marcelo Lavenère, Lênio Streck e Pedro Estevam Serrano, num ato público que levava justamente este nome: Resistência Constitucional. Pois desde ontem tenho pensado nesse ato de resistência, porque nele Pedro Serrano, estudioso de um novo tipo de golpe de Estado, aquele em que o ator já não são os militares, mas o sistema de justiça, lembrou da derrubada de Fernando Lugo da presidência do Paraguai, num processo que, de tão sumário, concedeu apenas duas horas para a elaboração da defesa. (mais…)

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Lado A, lado B

Lado A

A semana que terminou com Lula Livre havia iniciado com os megaleilões do pré-sal. Ao final fracassada, a tentativa de venda do filé do pré-sal foi mais um capítulo da política, iniciada logo após o golpe, de privatização e desnacionalização das maiores riquezas nacionais.

Sob esse aspecto, Bolsonaro apenas continua, e aprofunda, a política iniciada com Temer, num momento traumático da vida nacional, bem explicado por Naomi Klein como o momento encontrado pelo neoliberalismo predador para aplicar a doutrina do choque. (mais…)

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Em qual casa?

Um homem e uma mulher. Os conheço da rua, o suficiente para um bom dia, às vezes um faz calor ou vai chover. Para ser exato, conheço um e conheço a outra, porque, ao contrário do que aconteceu agora, não os vejo juntos. Me preparei para o cumprimento protocolar, mas, não encontrando seus olhares e percebendo a animação da conversa, desisti. Sem bom dia, foi inevitável ouvir, enquanto passava, alguns segundos do que diziam. (mais…)

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O Judiciário pós-democrático

Como o Judiciário chegou a esse ponto? Foi a primeira pergunta da entrevista. Olhei surpreso para o pesquisador, mas ele não me ajudou: cabia a mim responder também qual era o ponto.

Demorei a engrenar, falei muito e certamente não disse tudo. Escrevendo aqui, talvez lembre um pouco do que disse, esqueça outro tanto e diga coisas que nem ao menos falei. Ou até mesmo mude algumas coisas.

Está claro que a pergunta não era neutra: seja pelo enunciado em si, seja porque sabemos bem o ponto em que estamos, não podia ser coisa boa. Então, responder a pergunta significava falar do golpe, do Supremo, da Lava Jato, do endeusamento de Moro. Significava, em suma, tentar entender qual foi o papel do Judiciário nessa história e, pressupondo que foi relevante, como se habilitou a representá-lo. (mais…)

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A dedicatória

Dedico esta foto a você, que votou nele. Sim, é para acusar tua cumplicidade. Mas é principalmente para te desafiar a tomar uma atitude.

Postei estas palavras em 21 de agosto, acompanhadas da foto do tamanduá cegado pelo fogo. Como sou habitante de uma bolha, a quase totalidade dos comentários que se seguiram fez coro às minhas palavras, geralmente num tom acima do que utilizei. (mais…)

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As árvores da Etiópia

350 milhões de árvores. Ou, para ser mais preciso, 353.633.660 mudas. Foi o que a Etiópia plantou em apenas 12 horas, batendo o recorde mundial.

Segundo o noticiário, a ação faz parte do programa Legado Verde, cujo objetivo é plantar 4 bilhões de mudas até outubro, e integra o compromisso assumido por 28 países africanos de reflorestarem 100 milhões de hectares até 2030. (mais…)

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Abismo

Voltei a uma vara de família, a mesma de onde saí há quatro anos.

Foram três semanas e dezenas de audiências, principalmente em ações de alimentos.

No início pensei: quatro anos, e nada mudou.

Passaram os dias, e passei a perceber diferenças. Nada estatístico, tudo sentir. Talvez um sentir alimentado por uma memória falha, empenhada em confirmar o que tenho pensado. Mesmo assim, um sentir, que compartilharei com a advertência sobre a possibilidade de falsas lembranças. (mais…)

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Garrincha e Feola

Naquela época heroica não existia a profusão de câmeras que mostram cada detalhe do jogo. Havia uma só, e ela precisava acompanhar a bola. Por isso, nunca se viu o sono de Feola no banco, enquanto a seleção canarinho passava por seus adversários.

Feola dormindo no banco é uma das muitas histórias que contam sobre o velho técnico bonachão, alvo permanente de um folclore que se criou, fomentado principalmente pelos próprios jogadores. (mais…)

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O grande vazamento

16 de março de 2016. Foi o dia em que um juiz abalou a República, ao entregar para a Globo a gravação de diálogo telefônico entre Dilma e Lula.

Na noite desse 16 de março, ouviu-se, vinda das janelas da classe média, a trilha sonora para a voz com empostação solene, que Bonner reservava aos fatos de extrema gravidade. O Brasil estava em transe, e uma parcela significativa dos brasileiros, insuflada por Moro-Globo, bradava pela derrubada do governo. (mais…)

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