Quem é assassino?

O desembargador decidiu que Marcelo D2 não pode chamar Doria de assassino. Há um ano, Doria disse que a polícia atiraria para matar. Foi uma fala até comedida, porque na mesma época Witzel, aquele que comemora a morte como se fosse um gol, disse que a polícia miraria na cabecinha.

O fato é que a polícia de São Paulo segue a do Rio como máquina de matar. Máquina de matar negros, pobres e favelados. (mais…)

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O desembargador e o conselheiro

Dois fatos da semana me levaram a pensar sobre o quanto pode haver de surpreendente e o quanto de trivial numa notícia. São acontecimentos absolutamente distintos, exceto pelo fato de serem retratos fiéis do que é o Brasil.

Se submetida ao critério do ineditismo, a morte de jovens de periferia em um baile funk seria uma não-notícia. Algo que se repete dia após dia, anunciado como política pelos governantes, que anunciam os policiais prontos para matar os pobres (mas, quando dá mal, tiram o corpo fora), pode comover ou revoltar quem ainda tem capacidade para isso, mas lhe falta essa característica de acontecimento. São quase banalidades. Do mal. (mais…)

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Parei de escrever

Fui a uma reunião, e ouvi, após me identificar na recepção: parou de escrever. Me vieram várias respostas, que não dei. Podia ser: escrevo sim, só reduzi a frequência. Ou: escrevo, mas o Facebook não me ajuda na divulgação. Ou ainda: relaxei, porque dei prioridade para um projeto ambiental. Ou, quase mal educado: pararam de me ler.

Havia mais duas ou três respostas menos cotadas, mas fiquei em silêncio. Não que alguma delas fosse falsa, mas nenhuma era totalmente verdadeira. O fato é que até penso em escrever, mas não engreno. (mais…)

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O teste

Em 2016, integrei um grupo de operadores jurídicos, então denominado Resistência Constitucional, que realizou alguns eventos públicos em defesa da democracia e contra o golpe então em marcha.

Num deles, reunimos Marcelo Lavenère, Lênio Streck e Pedro Estevam Serrano, num ato público que levava justamente este nome: Resistência Constitucional. Pois desde ontem tenho pensado nesse ato de resistência, porque nele Pedro Serrano, estudioso de um novo tipo de golpe de Estado, aquele em que o ator já não são os militares, mas o sistema de justiça, lembrou da derrubada de Fernando Lugo da presidência do Paraguai, num processo que, de tão sumário, concedeu apenas duas horas para a elaboração da defesa. (mais…)

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Lado A, lado B

Lado A

A semana que terminou com Lula Livre havia iniciado com os megaleilões do pré-sal. Ao final fracassada, a tentativa de venda do filé do pré-sal foi mais um capítulo da política, iniciada logo após o golpe, de privatização e desnacionalização das maiores riquezas nacionais.

Sob esse aspecto, Bolsonaro apenas continua, e aprofunda, a política iniciada com Temer, num momento traumático da vida nacional, bem explicado por Naomi Klein como o momento encontrado pelo neoliberalismo predador para aplicar a doutrina do choque. (mais…)

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Em qual casa?

Um homem e uma mulher. Os conheço da rua, o suficiente para um bom dia, às vezes um faz calor ou vai chover. Para ser exato, conheço um e conheço a outra, porque, ao contrário do que aconteceu agora, não os vejo juntos. Me preparei para o cumprimento protocolar, mas, não encontrando seus olhares e percebendo a animação da conversa, desisti. Sem bom dia, foi inevitável ouvir, enquanto passava, alguns segundos do que diziam. (mais…)

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O Judiciário pós-democrático

Como o Judiciário chegou a esse ponto? Foi a primeira pergunta da entrevista. Olhei surpreso para o pesquisador, mas ele não me ajudou: cabia a mim responder também qual era o ponto.

Demorei a engrenar, falei muito e certamente não disse tudo. Escrevendo aqui, talvez lembre um pouco do que disse, esqueça outro tanto e diga coisas que nem ao menos falei. Ou até mesmo mude algumas coisas.

Está claro que a pergunta não era neutra: seja pelo enunciado em si, seja porque sabemos bem o ponto em que estamos, não podia ser coisa boa. Então, responder a pergunta significava falar do golpe, do Supremo, da Lava Jato, do endeusamento de Moro. Significava, em suma, tentar entender qual foi o papel do Judiciário nessa história e, pressupondo que foi relevante, como se habilitou a representá-lo. (mais…)

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A dedicatória

Dedico esta foto a você, que votou nele. Sim, é para acusar tua cumplicidade. Mas é principalmente para te desafiar a tomar uma atitude.

Postei estas palavras em 21 de agosto, acompanhadas da foto do tamanduá cegado pelo fogo. Como sou habitante de uma bolha, a quase totalidade dos comentários que se seguiram fez coro às minhas palavras, geralmente num tom acima do que utilizei. (mais…)

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