A dedicatória

Dedico esta foto a você, que votou nele. Sim, é para acusar tua cumplicidade. Mas é principalmente para te desafiar a tomar uma atitude.

Postei estas palavras em 21 de agosto, acompanhadas da foto do tamanduá cegado pelo fogo. Como sou habitante de uma bolha, a quase totalidade dos comentários que se seguiram fez coro às minhas palavras, geralmente num tom acima do que utilizei. (mais…)

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As árvores da Etiópia

350 milhões de árvores. Ou, para ser mais preciso, 353.633.660 mudas. Foi o que a Etiópia plantou em apenas 12 horas, batendo o recorde mundial.

Segundo o noticiário, a ação faz parte do programa Legado Verde, cujo objetivo é plantar 4 bilhões de mudas até outubro, e integra o compromisso assumido por 28 países africanos de reflorestarem 100 milhões de hectares até 2030. (mais…)

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Abismo

Voltei a uma vara de família, a mesma de onde saí há quatro anos.

Foram três semanas e dezenas de audiências, principalmente em ações de alimentos.

No início pensei: quatro anos, e nada mudou.

Passaram os dias, e passei a perceber diferenças. Nada estatístico, tudo sentir. Talvez um sentir alimentado por uma memória falha, empenhada em confirmar o que tenho pensado. Mesmo assim, um sentir, que compartilharei com a advertência sobre a possibilidade de falsas lembranças. (mais…)

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Garrincha e Feola

Naquela época heroica não existia a profusão de câmeras que mostram cada detalhe do jogo. Havia uma só, e ela precisava acompanhar a bola. Por isso, nunca se viu o sono de Feola no banco, enquanto a seleção canarinho passava por seus adversários.

Feola dormindo no banco é uma das muitas histórias que contam sobre o velho técnico bonachão, alvo permanente de um folclore que se criou, fomentado principalmente pelos próprios jogadores. (mais…)

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O grande vazamento

16 de março de 2016. Foi o dia em que um juiz abalou a República, ao entregar para a Globo a gravação de diálogo telefônico entre Dilma e Lula.

Na noite desse 16 de março, ouviu-se, vinda das janelas da classe média, a trilha sonora para a voz com empostação solene, que Bonner reservava aos fatos de extrema gravidade. O Brasil estava em transe, e uma parcela significativa dos brasileiros, insuflada por Moro-Globo, bradava pela derrubada do governo. (mais…)

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Entrem em pânico

Eu não os quero esperançosos. Eu os quero em pânico. Quero que sintam o medo que eu sinto todos os dias. E então quero que ajam como numa crise. Quero que ajam como se a casa estivesse em chamas. Porque ela está.

Estas palavras são de Greta Thunberg, a adolescente sueca, portadora da Síndrome de Asperger, que virou a sensação do momento, ao inspirar o movimento Fridays for Future. (mais…)

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O velho, o diabo e o Supremo

Eu deveria estranhar. Mas não estranho. E não por ter atingido a idade provecta do diabo, que sabe por velho, mas pelo que tenho visto nestes últimos anos, em que tudo o que era já não é mais.

Os poderes desnudos revelam coisa bem diferente – e mais assustadora – que a vaidade tola do rei que desfilou nu: revelam a decomposição do Estado liberal, cujos princípios foram respeitados enquanto havia certa estabilidade, irmã de uma relativa prosperidade (uso “certa” e “relativa” de propósito, não por pobreza estilística). (mais…)

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Mina da nossa miséria

De Getúlio a Dilma, atravessamos vários períodos de aposta no desenvolvimento nacional, não subordinado ao grande capital internacional, principalmente o americano. Não foi sempre um projeto de governos democráticos nem necessariamente de esquerda, basta ver que um dos pontos altos dessa política aconteceu no Governo Geisel.

Falar em desenvolvimento na segunda década do século XXI pode não gerar entusiasmo, principalmente entre os que percebem o quanto o conceito de crescimento fundado no PIB está na base da degradação ambiental do planeta, mas é certo que tais políticas tentavam dar ao Brasil um protagonismo econômico cuja possibilidade de realização foi fulminada a partir do golpe de 2016, com a entrega do governo a setores empenhados na subordinação ao capital internacional, principalmente americano. (mais…)

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Alta traição

Julian Assange foi preso. Expulso da embaixada do Equador em Londres, na qual estava asilado há quase sete anos, o fundador do WikiLeaks foi entregue para a polícia inglesa. Seu provável destino são os Estados Unidos, onde provavelmente será acusado por alta traição.

E não é sem motivo: há dez anos o WikiLeaks vem vazando informações sigilosas dos Estados Unidos, que revelam, entre outras coisas, métodos organizados de tortura e assassinatos, além de espionagem generalizada, incluindo suas autoridades máximas de outros países, entre as quais a toda-poderosa Angela Merkel. (mais…)

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