Hebraica

A notícia não é Bolsonaro, a notícia é a Hebraica. E a pergunta é: a Hebraica convidou Bolsonaro porque não sabia que ele falaria o que falou ou a Hebraica convidou Bolsonaro porque sabia que ele falaria o que falou?

Não se pode dizer que não foi avisada. Pelo contrário, a Hebraica do Rio convidou Bolsonaro após o cancelamento de evento semelhante pela de São Paulo, que só recuou em razão de protestos, vindos inclusive da comunidade judaica. Então, a Hebraica do Rio o convidou e aplaudiu calorosamente ao final. (mais…)

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Viva, fui hackeado!

Chego de férias, dias sem internet, e o Bissexto não abre: só há uma mensagem em inglês sobre a tela branca, dizendo que fui raqueado. Gelei, porque nunca me preocupei com fazer cópias de segurança, o que significava a possibilidade de ter perdido todos os meus quase duzentos textos.

Senti certo alívio ao entrar na página de edição: os textos estavam lá, embora desconfigurados. Pouco familiarizado com informática, procurei o Rodrigo Moraes, que providenciou a contratação de programador, e aqui estou, ainda sem o formato original, que, com alguma paciência, será depois recuperado. (mais…)

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As mulheres de Montevidéu

Plaza Libertad, 18 horas. Era lá o encontro. Chego na hora, mas fico espremido na praça apinhada, brasileiro entre incontáveis uruguaias (e uruguaios). A maioria de preto, muitas de roxo, jovens, idosas, crianças.

Recebo o panfleto da Coordinadora de Feminismos del Uruguay: 8 de marzo, jornada de paro de mujeres. ¡Si paramos nosotras, paramos el mundo!

Hoy 8 de marzo, ¡Dia de Lucha!

Nosotras paramos. Nosotras, mujeres, compañeras, trabajadoras. (mais…)

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Raduan é pop

Li Lavora arcaica e não li Um copo de cólera. Conheço meio Raduan Nassar, autor de duas obras, mais os contos. Ou, se, como ele diz, sua obra é de um livro e meio, conheço mais da metade. O que, em se tratando de Raduan, me deixa ainda em déficit, não só pela qualidade desse que muitos consideram o maior escritor brasileiro vivo, como pela facilidade que a obra reduzida oferece para uma leitura completa. (mais…)

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Suruba

Fui cobrado. Escrevi há alguns dias, e ouvi a crítica: como assim, achar que o Moreira Franco, tão lembrado nas delações, pode ser nomeado ministro? Optei pela resposta simples, e disse: pelo mesmo motivo que me levava a defender que Lula fosse nomeado.

A tréplica foi imediata: mas não proibiram o Lula de tomar posse? Complicou, e fui obrigado a um malabarismo, para dizer que defendo a aplicação da lei, e não vejo como proibir o presidente de nomear ministro alguém que nem ao menos foi denunciado. Até lembrei, com um sorriso amarelo, que Temer prometeu demitir ministro que venha a ser denunciado. (mais…)

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Impressões

Impressão é assim: a gente vê, não tem certeza, mas sente que é por aí, embora talvez não seja. Às vezes a notícia de um fato nos causa uma impressão, ouvimos um comentário e a impressão já muda, ouvimos outro e já pensamos uma terceira coisa, que talvez não seja mais válida que a primeira e a segunda.

No meu caso, nem comecei com a notícia. Desinformado que sou, só ouvi “soltaram o goleiro”, e não entendi nada. (mais…)

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Pesos e medidas

Sabe, eu acho que não pode proibir o Moreira Franco de ser ministro. Ele ainda não é réu, acabou de ganhar foro privilegiado e o Governo Temer conseguiu se queimar mais um pouco, mas o prejuízo é político, e não cabe ao Judiciário proibir a nomeação.

Também não acho errado manter em sigilo a lista da Odebrecht: se a lei diz que o acordo de colaboração premiada deve ser sigiloso e sua divulgação só pode ocorrer depois de recebida a denúncia, não há motivo para reclamar do STF pela não liberação. (Se poderá reclamar se o recebimento da denúncia ficar para as calendas gregas, mas aí é outra história.) (mais…)

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Tipos abertos

Para quem não é do Direito, talvez seja um sujeito sorridente, bom de papo, sincero, agradável. Quem é do Direito sabe que é outra coisa, normalmente usada no âmbito penal: o tipo penal aberto transmite um conceito genérico, em que não há uma definição precisa da conduta. Isso não é bom, porque o único modo de saber se a conduta é ilícita está em uma descrição limitada.

Se pensamos ato obsceno, podemos imaginar o que seja; também podemos imaginar o que sejam tortura, corrupção e tantas outras coisas, mas, quando o Estatuto da Criança e do Adolescente disse que era crime submeter uma criança a tortura, isso se tornou um problema, porque ele não dizia o que era tortura (uma lei de 1997 resolveu isso, descrevendo as condutas que configuram crime). (mais…)

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O ministro sem quarentena

Li, por aí, que quem agora reclama não tinha reclamado quando Lula nomeou Dias Toffoli. Então fui buscar no baú:

Anos atrás, quando os juízes gaúchos discutiam, preocupados, a possibilidade de Lula fazer uma indicação político-partidária para o STF, na época o ministro Tarso Genro, eu notei que até então, tendo já indicado quatro ministros, ele, ao contrário dos presidentes anteriores, não havia feito indicações políticas (no sentido estrito) para ministro do STF. Pois agora ele empatou com FHC, Itamar, Collor e Sarney: todos têm em seu currículo indicações de pessoas de seu staff, o que demonstra que esse poder dado ao presidente não pode continuar. (mais…)

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