Overdose

O que tiveram em comum o tsunâmi que atingiu o Sri Lanka e o furacão Katrina, que atingiu Nova Orleans, além do fato de terem sido fenômenos climáticos? Foi a voracidade do mercado, que, ao aproveitar-se do choque causado pelos desastres, removeu pescadores da costa asiática, colocando em seu lugar resorts de luxo, e retirou a população pobre da Louisiana das suas antigas moradias, derrubando também suas escolas e hospitais, para construir condomínios e instituições privadas. (mais…)

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Venezuela

Deu na capa da Veja: o falastrão caiu. Lembro que de Ijuí, onde morava, mandei mensagem: minha assinatura vai até o final do ano, mas podem parar de mandar agora. O fato é que a revista comemorou o golpe que derrubou Chávez. Começou com manifestações de rua convocadas por entidades empresariais e imprensa e se consumou com uma ação militar. Era 2002, tempo pouco, mas os golpes ainda eram feitos com fuzis. Tanto era golpe que, daqui, FHC condenou a quartelada. (mais…)

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A caminho do trabalho

Rádio eu ouço no deslocamento. Vinte minutos de manhã, dez à noite e menos que dez antes e depois do almoço. Era a Cultura, evidentemente. Minutos de Bergter, depois Lena Kurtz, Demétrio, Paulo Moreira. Se variava o horário da manhã, pegava MPB; se me antecipava à noite, desligava, porque ninguém aguenta discurso de deputado (nada contra os deputados, tudo contra a pobreza dos discursos).

Ocasionalmente, quando a entrevista do Bergter não me interessava ou não gostava da música, dava uma chuleada numa das grandes, principalmente onde estivesse o Juremir, ou na Rádio da Universidade, com seu chiado de chuvas e trovoadas. (mais…)

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Um dia e outro dia

Parece que foi agendado: um dia a reforma trabalhista, no outro a condenação do Lula. A História acontece agora e a poeira não assentou para que seja contada com cores definitivas, mas a coincidência não há de passar desapercebida a quem fizer, no futuro, a crônica desses dias.

E terá significado muito mais amplo que aquele que lhe possa atribuir quem gosta de contar a História como seleção de fatos pitorescos. Claro que para este será um prato cheio dizer que em dois dias seguidos caíram, primeiro, as bases da legislação de proteção ao trabalhador e, em seguida, o líder das grandes greves operárias dos anos 70, o operário que se tornou presidente. (mais…)

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Arbitragens

Nosso time era modesto: recém havia retornado da Série B, e foi surpreendente sua campanha no Brasileirão e a classificação à final da Libertadores. Por isso, o Boca era franco favorito, e restava aos gremistas apelarem à folclórica imortalidade.

Primeiro jogo na Bombonera, começamos jogando melhor, mas, não lembro em que sequência, sofremos um gol de impedimento e tivemos a expulsão injusta do Sandro Goiano. Aí desandou e entramos pelo cano. (mais…)

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A hora de morrer

Quando será a hora da morte? Não faço propriamente cálculos sobre isso, mas penso às vezes. Imagino que todo mundo pensa, uns mais, outros menos. E a única certeza que podemos ter é a de que na próxima vez em que pensarmos no assunto teremos menos tempo que agora.

Terrível, a consciência da morte. Convivemos mal com ela, tentamos a vida inteira nos acostumar, e não conseguimos. Não por nada se multiplicaram as religiões e tantos cultivam com esmero a esperança de que haja um depois. (mais…)

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Pode entrar, a casa é sua

Ó de casa!” “Pois não?” “Boa noite, senhora! Um informante disse que nessa casa escondem droga. Viemos verificar. A senhora permite que a gente entre?” “Claro! Entrem sem cerimônia. Só peço que não façam barulho, porque as crianças estão dormindo.” “E o seu marido?” “Está trabalhando, é garçom.” Entram os policiais, meio tímidos. “Os senhores não acham melhor deixarem essas armas em algum lugar, pra ficar mais confortável? Não, do lado do berço não, vai que acordem. Sabe como é criança, vai querer mexer. Melhor deixar aqui na cozinha ou encostar no tanque.” “Obrigado, senhora, muito gentil.” “Mas, fiquem à vontade, não quero atrapalhar. Vou passar um café enquanto reviram as gavetas.” A água nem esquentou, e eles voltam para a cozinha. “A senhora vai ter de nos acompanhar, achamos essas trouxinhas embrulhadas numa calcinha.” “Mas, como? Nunca vi isso!” “É, mas não tem jeito, a senhora está presa. Tem com quem deixar as crianças?” (mais…)

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