Presos na arapuca

Para mim está claro: este Executivo e este Legislativo não têm legitimidade política para aprovar qualquer medida de restrição de direitos, porque foram cúmplices em um golpe praticado com a finalidade de impor o programa político derrotado nas eleições e agem a partir de uma maioria política decorrente de um pleito em que, como agora se escancara, a obtenção de financiamentos de campanha polpudos vindos de grandes corporações voltadas à captura do Estado e interessadas na derrubada dos direitos sociais era quase condição para se eleger. (mais…)

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Fechando o círculo

São milhares de horas gravadas, muitos milhares de páginas. A maior parte não é pública, e o que, lícita ou ilicitamente, se tornou público, é impossível de ser analisado em sua integralidade. Mesmo um jornalista investigativo, que ponha todo o seu tempo a pesquisar o que há, terá dificuldades. Isso significa que nós, destinatários das informações, ouvintes e leitores ocasionais das notícias, temos de nos contentar com o que nos é selecionado por outros. (mais…)

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Hebraica

A notícia não é Bolsonaro, a notícia é a Hebraica. E a pergunta é: a Hebraica convidou Bolsonaro porque não sabia que ele falaria o que falou ou a Hebraica convidou Bolsonaro porque sabia que ele falaria o que falou?

Não se pode dizer que não foi avisada. Pelo contrário, a Hebraica do Rio convidou Bolsonaro após o cancelamento de evento semelhante pela de São Paulo, que só recuou em razão de protestos, vindos inclusive da comunidade judaica. Então, a Hebraica do Rio o convidou e aplaudiu calorosamente ao final. (mais…)

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As mulheres de Montevidéu

Plaza Libertad, 18 horas. Era lá o encontro. Chego na hora, mas fico espremido na praça apinhada, brasileiro entre incontáveis uruguaias (e uruguaios). A maioria de preto, muitas de roxo, jovens, idosas, crianças.

Recebo o panfleto da Coordinadora de Feminismos del Uruguay: 8 de marzo, jornada de paro de mujeres. ¡Si paramos nosotras, paramos el mundo!

Hoy 8 de marzo, ¡Dia de Lucha!

Nosotras paramos. Nosotras, mujeres, compañeras, trabajadoras. (mais…)

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Raduan é pop

Li Lavora arcaica e não li Um copo de cólera. Conheço meio Raduan Nassar, autor de duas obras, mais os contos. Ou, se, como ele diz, sua obra é de um livro e meio, conheço mais da metade. O que, em se tratando de Raduan, me deixa ainda em déficit, não só pela qualidade desse que muitos consideram o maior escritor brasileiro vivo, como pela facilidade que a obra reduzida oferece para uma leitura completa. (mais…)

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Impressões

Impressão é assim: a gente vê, não tem certeza, mas sente que é por aí, embora talvez não seja. Às vezes a notícia de um fato nos causa uma impressão, ouvimos um comentário e a impressão já muda, ouvimos outro e já pensamos uma terceira coisa, que talvez não seja mais válida que a primeira e a segunda.

No meu caso, nem comecei com a notícia. Desinformado que sou, só ouvi “soltaram o goleiro”, e não entendi nada. (mais…)

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Pesos e medidas

Sabe, eu acho que não pode proibir o Moreira Franco de ser ministro. Ele ainda não é réu, acabou de ganhar foro privilegiado e o Governo Temer conseguiu se queimar mais um pouco, mas o prejuízo é político, e não cabe ao Judiciário proibir a nomeação.

Também não acho errado manter em sigilo a lista da Odebrecht: se a lei diz que o acordo de colaboração premiada deve ser sigiloso e sua divulgação só pode ocorrer depois de recebida a denúncia, não há motivo para reclamar do STF pela não liberação. (Se poderá reclamar se o recebimento da denúncia ficar para as calendas gregas, mas aí é outra história.) (mais…)

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Tipos abertos

Para quem não é do Direito, talvez seja um sujeito sorridente, bom de papo, sincero, agradável. Quem é do Direito sabe que é outra coisa, normalmente usada no âmbito penal: o tipo penal aberto transmite um conceito genérico, em que não há uma definição precisa da conduta. Isso não é bom, porque o único modo de saber se a conduta é ilícita está em uma descrição limitada.

Se pensamos ato obsceno, podemos imaginar o que seja; também podemos imaginar o que sejam tortura, corrupção e tantas outras coisas, mas, quando o Estatuto da Criança e do Adolescente disse que era crime submeter uma criança a tortura, isso se tornou um problema, porque ele não dizia o que era tortura (uma lei de 1997 resolveu isso, descrevendo as condutas que configuram crime). (mais…)

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