Um dia e outro dia

Parece que foi agendado: um dia a reforma trabalhista, no outro a condenação do Lula. A História acontece agora e a poeira não assentou para que seja contada com cores definitivas, mas a coincidência não há de passar desapercebida a quem fizer, no futuro, a crônica desses dias.

E terá significado muito mais amplo que aquele que lhe possa atribuir quem gosta de contar a História como seleção de fatos pitorescos. Claro que para este será um prato cheio dizer que em dois dias seguidos caíram, primeiro, as bases da legislação de proteção ao trabalhador e, em seguida, o líder das grandes greves operárias dos anos 70, o operário que se tornou presidente. (mais…)

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A hora de morrer

Quando será a hora da morte? Não faço propriamente cálculos sobre isso, mas penso às vezes. Imagino que todo mundo pensa, uns mais, outros menos. E a única certeza que podemos ter é a de que na próxima vez em que pensarmos no assunto teremos menos tempo que agora.

Terrível, a consciência da morte. Convivemos mal com ela, tentamos a vida inteira nos acostumar, e não conseguimos. Não por nada se multiplicaram as religiões e tantos cultivam com esmero a esperança de que haja um depois. (mais…)

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Pode entrar, a casa é sua

Ó de casa!” “Pois não?” “Boa noite, senhora! Um informante disse que nessa casa escondem droga. Viemos verificar. A senhora permite que a gente entre?” “Claro! Entrem sem cerimônia. Só peço que não façam barulho, porque as crianças estão dormindo.” “E o seu marido?” “Está trabalhando, é garçom.” Entram os policiais, meio tímidos. “Os senhores não acham melhor deixarem essas armas em algum lugar, pra ficar mais confortável? Não, do lado do berço não, vai que acordem. Sabe como é criança, vai querer mexer. Melhor deixar aqui na cozinha ou encostar no tanque.” “Obrigado, senhora, muito gentil.” “Mas, fiquem à vontade, não quero atrapalhar. Vou passar um café enquanto reviram as gavetas.” A água nem esquentou, e eles voltam para a cozinha. “A senhora vai ter de nos acompanhar, achamos essas trouxinhas embrulhadas numa calcinha.” “Mas, como? Nunca vi isso!” “É, mas não tem jeito, a senhora está presa. Tem com quem deixar as crianças?” (mais…)

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Nossas façanhas

São um estorvo os lanceiros negros, uma mancha no brasão rio-grandense, que diz liberdade, igualdade, humanidade. É quase automático, e penso com dor, não com ironia: sempre que chega aquela parte do hino que expressa a nossa peculiar modéstia, lembro de Porongos.

Diferentemente do que aconteceu a Sepé Tiaraju e aos guaranis das Missões, massacrados porque nosso time perdeu para o inimigo – não vem ao caso que muitos dos invasores de então tenham depois se tornado gaúchos – os lanceiros negros, que eram do nosso time, foram entregues de bandeja ao inimigo. (mais…)

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Sístole e diástole

Vamos começar pelo começo: você achava que o TSE cassar a Dilma era golpe e agora acha um absurdo ele não ter cassado Temer? Nesse caso, antes mesmo de formarmos um juízo sobre o TSE, teremos de entender o motivo desse seu pensamento.

Veja só: Dilma era candidata a presidente, Temer a vice. Na mesma chapa. Não interessa tudo o que aconteceu depois, Temer dizer que era figura decorativa, conspirar, querer acabar com o Direito do Trabalho, impor goela abaixo a reforma previdenciária, ser gravado por Joesley e o que mais conseguirmos lembrar, o fato é que o TSE estava julgando a chapa vencedora das eleições de 2014. (mais…)

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A janela do golpe

O título deste texto poderia ser também, por motivos óbvios, Diretas e indiretas. Poderia ser ainda, por motivos que explicarei, Matemática pura ou, por extensão, Direito puro.

Como não sou matemático, posso me permitir licenças retóricas, para dizer que a matemática pura, também conhecida por matemática estética, é aquela que não serve para outra coisa, que se basta a si própria. Sei que exagero, e de vez em quando são encontradas aplicações para ela, mas é mais ou menos como uma matemática autista, em que as pessoas calculam, calculam, calculam, e não veem pela janela que o mundo gira lá fora. (mais…)

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Diretas já!

Defender a democracia. Defender o respeito às regras do jogo. Parece o óbvio, mas para muitos não passa de jogo de palavras, e as regras do jogo só são respeitadas quando são favoráveis. Quando não são, ainda assim o discurso democrático é dado com todo o cinismo por quem quebra as regras.

Por isso, o mínimo que se pode pedir de alguém que proponha algo diferente das regras postas é que dê uma boa justificativa, em que a preservação da democracia se ponha como norte. (mais…)

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Enquanto em Curitiba

Eram 13:30 de 18 de julho de 1997. Ana caminhava pelo acostamento da Baltazar em direção à parada, onde pegaria o ônibus para a casa da mãe, quando foi atropelada por um motorista bêbado. Ana quebrou o joelho e o antebraço direitos e teve lesões graves na face. Permaneceu três semanas internada.

Menos de um ano depois, o motorista estava condenado criminalmente e Ana postulou a liquidação da sentença criminal, depois seguida de cumprimento de sentença. (mais…)

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