Concentração

Não foi surpreendente a revelação feita por Piketty no Fronteiras do pensamento de que somente uma parte do planeta, o Oriente Médio, com suas fortunas petrolíferas, tem concentração de renda superior à brasileira.

No gráfico que projetou, mostrou o resultado de estudos recentes, não disponíveis quando escreveu O capital no século XXI, e neles se vê, num período curto da história brasileira, de 2001 a 2015, a evolução da participação dos mais ricos e dos mais pobres na renda nacional. (mais…)

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Sobre dores e curas

Comovem-me as dores das pessoas. Todas elas, a dor da pobreza, a do abandono, a da doença, a da injustiça. Sei que sentir dor é próprio da vida e por isso muitas não têm solução. Nesse caso resta a solidariedade, quando a exercemos, porque anda cada vez mais rara.

Houve tempos em que comparava dores, tentando entender qual era maior e necessitava de mais amparo. Sofre mais quem perdeu o emprego e não tem dinheiro para alimentar o filho ou quem perdeu os movimentos num acidente? Sofre mais o apátrida escorraçado de todos os lugares ou o morador de rua chutado para desocupar o espaço sob a marquise? (mais…)

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Indecência

As notícias vieram sem muito destaque. Na verdade, começaram mesmo como seminotícias, apresentadas na condicionalidade do futuro do pretérito composto teriam sido.

O teriam sido continuou por vários dias, depois, aos poucos, sem alarde, mudou par foram. Não é mais os índios flecheiros teriam sido mortos; já se dá como certo que foram mesmo mortos por garimpeiros. Não há corpos, não se sabe o número, fala-se genericamente em mais de vinte. (mais…)

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A flor do jardim

Houve, nas reações ao fechamento antecipado da exposição Queermuseu, uma que me preocupou mais do que o obscurantismo conservador de sempre e o novo fascismo do MBL: a das muitas pessoas verdadeiramente democráticas que, sem se sentirem encorajadas a explicitamente defender a censura, levaram seu discurso para o mal estar diante de algumas obras que consideraram ofensivas. (mais…)

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O ônibus da Paulista

Entrou Janot, saiu o maluco do ônibus. Voltou a grande política e saiu a pequena política do cotidiano das relações sociais, assim satisfazendo quem lamentava o prosseguimento da masturbação. Mesmo assim, não posso deixar de voltar ao assunto, porque vejo nos detalhes que cercaram o evento anterior uma série de implicações que dizem com o nosso pensamento e nossa prática social. O farei na forma de notas. (mais…)

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