Relevância estatística

Seis, este é o número. Como cheguei a ele? Pois aconteceu comigo como acontece com todo mundo nas redes sociais: um dia você deixa de seguir quem foi mal educado, outro dia quem só fala abobrinha, depois quem tem interesses destoantes dos seus, e assim vai filtrando o que vê.

Alguns dizem mesmo que essa possibilidade oferecida pelas redes dificulta o diálogo e a tolerância, porque cristaliza posições e te faz conversar só com os iguais. Não sei se é isso, o fato é que, como não acontecia antes, hoje somos diretamente interpelados pela telinha, que parece uma extensão dos nossos olhos. É como se cada uma dessas pessoas que você vê estivesse aí, na sua casa. (mais…)

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A fala

A fala é do professor Eduardo Carrion. Tenho por ele respeito pessoal e admiração intelectual, e por isso fiquei mais preocupado ao ouvi-la. Aconteceu mesmo aquela coisa comum, de não me dar conta imediatamente da inteireza do que é dito, e por isso até fiz uma coisa que não costumo fazer: fui atrás da gravação, para ouvi-la novamente.

Faço um resumo, com toda a arbitrariedade que pode estar contida nos resumos, mas penso que não serei infiel ao conteúdo. Ele disse mais ou menos isso: (mais…)

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Bagunçou

Sinceramente? Acho que não tem fundamento. A decisão de Waldir Maranhão parece do tipo “já que está uma bagunça mesmo, vou avacalhar de vez”.

Foi por inspiração de Eduardo Cunha, como dizem uns? De Flávio Dino, como garantem outros? Foi por conta própria que ele decidiu isso? Não faço e menor ideia. (mais…)

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A dúvida na gaveta

O insondável tempo do Supremo, de uma lentidão indescritível para tantas coisas, chegou cedo demais para esta minha dúvida, que nunca será respondida: o que seria feito de Cunha depois que ele tivesse prestado o serviço?

A dúvida não dizia respeito à decisão suprema, que não fora tomada em dezembro, mas era de como a questão seria resolvida no âmbito da política. Entenda-se: independentemente das destoantes leituras acerca do papel político que hoje desempenha o STF, imaginava o tipo de acordo existente entre Cunha e os demais atores dessa burlesca tragédia e, mais, se esse acerto seria cumprido. (mais…)

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Anotações sobre o estado das coisas

O nome da coisa

O nome da coisa é golpe. É golpe porque não há crime. É golpe porque o vice também assinou e é poupado para ficar no lugar. É golpe porque os presidentes anteriores fizeram. É golpe porque muitos governadores continuam fazendo. É golpe porque já no dia da eleição tramavam a queda da presidente, do modo como conseguissem: o script estava desenhado e faltava o instrumento, e o Plano B continua engatilhado no TSE, agora com a brilhante ideia de, assim como no impeachment, separar Dilma de Temer.

Chamar a coisa pelo nome é um modo de defender a Democracia, para que nunca seja atacada com meias palavras – não houve Ditabranda, não há pausa democrática. Chamar a coisa pelo nome é constranger quem ataca a Democracia, para que saiba que a História não o perdoará. Chamá-la pelo nome é pôr os pingos nos is. (mais…)

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Gol em impedimento

Sou gremista. Não como o Irion, o Saraiva, o Marcelo, a Elaine, o Flores, que nunca deixam de ir ao estádio; sou desses acomodados, que preferem a televisão e às vezes só descobrem no dia seguinte que houve jogo.

No mais, sou um torcedor normal, desses que reclamam do técnico, acham que o lateral não joga nada, vibram com a jogada de efeito e também com o chutão na hora certa, dormem felizes quando o time ganha e aborrecidos quando perde. (mais…)

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O triste fim do perplexo marciano

Não sei quem a inventou, mas aquela imagem do viajante marciano que chega à Terra e se espanta com o que aqui acontece é genial. Conseguiu, quem a teve, criar uma possibilidade perfeita de crônica das nossas incoerências, a partir de um personagem que, por nada saber de nós, se espanta e, a partir de perguntas aparentemente ingênuas, desnuda o nonsense que aqui encontra.

E não tenham dúvida de que o Brasil é um dos destinos favoritos dos simpáticos turistas do planeta vermelho. É de um deles que quero falar. Pousou em Brasília por esses dias e, como invariavelmente acontece com os marcianos, logo encontrou um interlocutor solícito para lhe explicar as coisas. (mais…)

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Palavras

Uma vez, na Argentina, em Cosquin, vários anos antes do golpe de 24 de março de 1976, e já em contexto repressivo, tentaram proibir Jorge Cafrune de cantar Zamba de mi esperanza.

Condensei a frase de Demétrio Xavier, que esta semana evocou a Ditadura Militar argentina, no seu excelente Cantos do Sul da Terra.

Segue sua fala: escutem e leiam a música e a letra de Zamba de mi esperança; não há nada perigoso, não há nada subversivo, não há nada atentatório, naquela música, a qualquer ordem estabelecida. Ou há? (mais…)

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