A janela do golpe

O título deste texto poderia ser também, por motivos óbvios, Diretas e indiretas. Poderia ser ainda, por motivos que explicarei, Matemática pura ou, por extensão, Direito puro.

Como não sou matemático, posso me permitir licenças retóricas, para dizer que a matemática pura, também conhecida por matemática estética, é aquela que não serve para outra coisa, que se basta a si própria. Sei que exagero, e de vez em quando são encontradas aplicações para ela, mas é mais ou menos como uma matemática autista, em que as pessoas calculam, calculam, calculam, e não veem pela janela que o mundo gira lá fora. (mais…)

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Diretas já!

Defender a democracia. Defender o respeito às regras do jogo. Parece o óbvio, mas para muitos não passa de jogo de palavras, e as regras do jogo só são respeitadas quando são favoráveis. Quando não são, ainda assim o discurso democrático é dado com todo o cinismo por quem quebra as regras.

Por isso, o mínimo que se pode pedir de alguém que proponha algo diferente das regras postas é que dê uma boa justificativa, em que a preservação da democracia se ponha como norte. (mais…)

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Enquanto em Curitiba

Eram 13:30 de 18 de julho de 1997. Ana caminhava pelo acostamento da Baltazar em direção à parada, onde pegaria o ônibus para a casa da mãe, quando foi atropelada por um motorista bêbado. Ana quebrou o joelho e o antebraço direitos e teve lesões graves na face. Permaneceu três semanas internada.

Menos de um ano depois, o motorista estava condenado criminalmente e Ana postulou a liquidação da sentença criminal, depois seguida de cumprimento de sentença. (mais…)

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Em defesa do Supremo

Tenho sido muito crítico do STF. Há anos critico o modo de indicação dos ministros, critico o estrelismo midiático, as entrevistas de certos ministros com a intenção de interferir na política, as ilegais declarações sobre o mérito de processos que por eles serão julgados, os encontros furtivos com políticos que conspiram, os intermináveis pedidos de vista que representam negação da jurisdição. Na verdade, minhas críticas ao Supremo, e em particular a alguns ministros, já expostas em vários textos, não caberiam em tão poucas linhas. (mais…)

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O texto que não escrevo

Várias vezes nos últimos meses me vi diante da tentação de escrever sobre os paneleiros e sempre desisti. Fico indeciso entre frases mais solenes e a pura ironia, e isso é suficiente para deixar para depois. O fato é que o tempo passa e continuo aqui nesse impasse.

Sei que escrevo de um certo lugar, cada vez mais identificado pelos analistas das redes sociais e pelos estudiosos da pós-verdade, que veem grupos fechados, presos em seu quadrante ideológico e surdos para o que vem de fora. Por isso, sabendo que, de regra, quem me lerá serão somente aqueles que por definição tendem à afinidade com minhas ideias, tanto faz a forma. Talvez alguma ironia seja mesmo melhor, porque temos a necessidade de cutucar o outro lado, nos vingarmos de quem vestiu a camiseta da seleção, dizermos viu o que vocês fizeram?, assumirmos aquele ar de superioridade de quem, mesmo derrotado, está do lado certo. (mais…)

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Democracia: modo de usar

1. Tire o máximo proveito do sistema eleitoral. O sistema brasileiro é perfeito, porque nele o voto é avulso. Os eleitores não abrem mão disso e dizem, orgulhosos, “eu voto na pessoa”.

2. Não se preocupe com partidos ou quocientes partidários: fora uns partidecos sem expressão da esquerda, os partidos estão abertos para candidatos sensatos, que defendam propostas modernas. (mais…)

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Presos na arapuca

Para mim está claro: este Executivo e este Legislativo não têm legitimidade política para aprovar qualquer medida de restrição de direitos, porque foram cúmplices em um golpe praticado com a finalidade de impor o programa político derrotado nas eleições e agem a partir de uma maioria política decorrente de um pleito em que, como agora se escancara, a obtenção de financiamentos de campanha polpudos vindos de grandes corporações voltadas à captura do Estado e interessadas na derrubada dos direitos sociais era quase condição para se eleger. (mais…)

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Fechando o círculo

São milhares de horas gravadas, muitos milhares de páginas. A maior parte não é pública, e o que, lícita ou ilicitamente, se tornou público, é impossível de ser analisado em sua integralidade. Mesmo um jornalista investigativo, que ponha todo o seu tempo a pesquisar o que há, terá dificuldades. Isso significa que nós, destinatários das informações, ouvintes e leitores ocasionais das notícias, temos de nos contentar com o que nos é selecionado por outros. (mais…)

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